segunda-feira, 20 de setembro de 2010

" A REVOLUÇÃO NO CASAMENTO "



" A REVOLUÇÃO NO CASAMENTO "



Foram tantos os fatores sociais profundamente significativos que influenciaram o casamento, que se tornou praticamente impossível isolar o impacto psicológico na relação. Primeiramente, existe o efeito dos métodos anticoncepcionais, bastante aperfeiçoados. O impacto da prevenção da gravidez na vida do casal mudou toda a estrutura do casamento. Antigamente, ser esposa era, certamente, uma das ocupações mais perigosas. As esposas eram sacrificadas poque não parecia haver menhuma outra alternativa ou perspectiva. Apenas mulherers solteiras ou estéreis tinham uma expectativa de vida mais razoável. HOje tudo isto está mudado. A disponibilidade dos métodos anticoncepcionais significa que a esposa não encontra-se mais totalmente ocupada com gravidez, amamentação e crianças. Significa que, fisicamente, ela está tão livre quanto seu marido para explorar relacionamentos fora do casamento. Ela têm também uma oportunidade maior de escolher entre família e carreira, ou ambas.Pela primeira vez na história a mulher é um agente fisicamente livre.O impacto sobre a política da família tem sido incalculável. Um segundo fator importante também afetou muito o casamento. É o aumento da expectativa de vida do ser humano, e o consequente aumento do período potencial de casamento. Em menos de 100 anos nossa esperança de viver mais dobrou. Um casamento antigamente tinha possibilidade de durar de 10 a 15 anos até ser desfeito pela morte,bem diferente do atual, onde é possível que ambos vivam por 50 anos antes que a morte leve um deles. As falhas que poderiam ser suportadas por 10 anos não serão por 50. A quantidade de elementos que podem mudar vidas e tornar um relacionamento instável é hoje multiplicada,a menos que o casal cresça junto e se ajuste bem a u mrelacionamento continuamente mutável. Um outro fator social a ser considerado é a progressiva aceitação do divórcio. Ninguém precisa mais sentir-se necessariamente amarrado um ao outro "até que morte os separe". Cada um tem sempre o poder de decidir se quer ou não manter o casamento.A mobilidade e a transitoriedade familiar tiveram um profundo impacto no relacionamento interpessoal do casamento. Questiona-se a importância e a necessidade de casar-se ou manter-se casado. Não existe mais uma família estruturada para amortecer as tensões. Portanto, qualquer deficiência no relacionamento torna-se realçada. A crescente liberdade sexual tem afetado profundamente o casamento. Estudos mostram que, antes do casamento, homen e mulher se envolveram em experiências sexuais em média muito mais que indivíduos mais velhos. A importância destes fatos para o futuro dos padrões matrimoniais dificilmente pode ser mudada, uma vez que cada um tende a reproduzir experiências prazerosas em momentos de crises. Todos estes fatores tornam o casamento mais arriscado, mais aberto a tensões, com menos probabilidades de durar.
 
 
 (*) JOSÉ HENRIQUE RIOS é psicólogo e psicoterapeuta clínico de base analítica. Formou-se pela USP e coordena o APP-ambulatório de psicologia psicossomática da PMRP e também atua na sua clínica particular. Seu ideal de vida é aplicar seus conceitos psicológicos à terapêutica.

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